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Meus dedos tremem, é difícil pensar no que escrever. Ainda mais quando tantas palavras já foram ditas, tudo parece velho. Tudo parece uma tentativa que já fora feita antes, em vão. Mas isso é diferente, né? Não é uma tentativa de nada, sequer é um texto endereçado a você. Esse é para mim, um dos vários textos que agora serão apenas meus.

Eu gostei de amar, afinal. É ótimo. Mas agora eu posso dizer que passei pela experiência, e ainda prefiro ficar sozinha. Com minhas barreiras. Não valeu a pena para mim, subir até a mais alta das montanhas e ter a felicidade mais pura em mãos, se eventualmente eu teria que me jogar de lá em cima. Cair. Levar alguém junto comigo pra baixo. 

Você pode dizer tudo o que diz agora, mas eu gostei de você. E só eu mesma pra saber como gostei. Como cuidei de você, como te ninei, como tive por ti um carinho especial e diferente de todos (eu repito, todos) os anteriores. Como gostei daquele teu sorriso em todos os nossos cenários. No banco da rodoviária, perto do sanitário feminino e de um telão grande que passava curiosidades. No ônibus sacolejando em direção ao metrô, a paisagem urbana lá fora. Aquela grande passarela chamada Avenida Paulista, onde o que prevalecia era o sentimento de que tudo era possível. O local aconchegante que servia o melhor camarão na moranga de toda a história. Até pelas ruas de Jaguariúna, no conforto de casa. Minhas paredes vão sentir a ausência do teu sorriso, pode ter certeza. Mas vão sentir ainda mais saudade as minhas mãos. Do teu cabelo quando deitava a cabeça no meu peito buscando colo. Vai ser estranho não poder ser aquela que mais vai te trazer pertinho e te cuidar. 

Mas não olho mais para trás. Não olho mais para o e se. O que foi feito, foi feito, e de você eu só levo as melhores experiências. Vou me fechar na minha concha de novo e dificilmente vou querer sair, e acredite, vou ser feliz assim. Mas de você, ah… de você. Levo somente aquele olhar, e aquele sorriso de lado feliz por me ver. 


“See, you and I have always been like—”